criações

Artifícios da virtuose dissidente

Outras danças necessitam de outros treinos – quem será capaz de hierarquizá-los? Descobriu-se que pensar a deformação exige ironicamente, considerar a forma. Num exercício coletivo poético-motor de chegar em si, de corpos que se acordam, do desejo enquanto princípio fraterno do destino. Caminhos que aparecem na prática verborreica e corporrágica de estar junte, em associação. Que dança contemporânea é mais contemporânea do que a existente nos corpos que vivenciam o que acontece agora? Longa pergunta. Artifícios da Virtuose Dissidente é o resultado de um procedimento de criação colaborativo, descomedido e acidental.


Ficha técnica:
Direção: ROJANA (Janaína Ferrari e Roberta Fofonka)
Elenco e coreografia: Roberta Fofonka, Janaína Ferrari, Débora Poitevin, Bruno Cunha, Bruna Chiesa, Gal Freire, Tatiana da Rosa, Patrícia Nardelli, Jo Ovadia, Fayola Ferreira
Concepção: Janaína Ferrari e Roberta Fofonka
Produção: Coletivo Grupelho
Assistente de Produção: Renata Stein

Fotos: Liege Ferreira


RINHA

Como castigo divino, a mulher amaldiçoada se transforma em mula. Um ser que, mesmo reconhecido pela ausência da cabeça, regurgita pelas ventas o fogo do inferno. Tal criatura não relincha mas geme, como um ser humano. RINHA revisita a fábula brasileira da Mula sem Cabeça, para propor uma atualização da história. O mesmo animal fantástico responderia aos mesmos pecados hoje? RINHA cambaleia entre a ideia de ser mulher, bicho ou coisa. Num jogo coreográfico de perguntas e respostas, uma movimentação de rebote aparece. O que delimita esses contornos? Que silhueta é necessária para dar conta de certas narrativas? Como é a organização física de um ser que está sempre preparado para a rinha? Há opções? É uma maldição? Quanto tempo ainda temos que falar sobre os mesmos tópicos? Sem cabeça ela dança, geme, e faz perguntas.

Ficha técnica:

Direção: Roberta Fofonka

Elenco e coreografia: Janaína Ferrari

Apoio de Direção: Geórgia de Macedo e Tatiana da Rosa

Concepção: Janaína Ferrari e Roberta Fofonka

Trilha: Patrícia Nardelli

Iluminação: Virgínia Anderle Cigolini

Ambientação cenográfica: Carolina Sinhorelli

Preparação Corporal: Luíza Fischer

Produção Executiva: Coletivo Grupelho

Assistente de Produção: Renata Stein

Fotos: Liege Ferreira


CÖCÖCÖCÜ REMIX é uma performance audiovisual  a partir de imagens, sons, textos e objetos produzidos ao longo das três semanas de imersão da residência Formigueiro, foi apresentado um experimento performático de improvisação e imbricamento de linguagens, abordando de forma poética e subjetiva os conceitos de coexistência, colaboração, comunicação e cuidado.


GOTA é um objeto relacional criado a partir do conceito de tensão superficial – fenômeno causado por uma teia de moléculas na superfície do líquido, altamente associadas entre si por ligações de hidrogênio – característica que possibilita que as formigas transportem gotículas de água na própria mandíbula. O objeto foi criado para a performance Céu-duro, performance derivada da residência Formigueiro.

Gota pretende brincar com a materialidade da água, peso e tensão. Enquanto objeto relacional o Coletivo Grupelho propõe que a obra seja manipulável dando oportunidade ao público de tocar e tocar na mesma.

Exposição CÖCÖCÖCÜ – MACRS – 9/2 até 9/4 de 2023


Céu-duro

Como despertar a percepção para as relações interespécies que ocorrem na praça? A partir desta pergunta, o Coletivo Grupelho elabora a performance Céu-duro, desdobramento do processo artístico vivido nas três semanas da residência artística Formigueiro. A tentativa de resposta se esboça na criação de um momento performativo em que as percepções do corpo individual revelam sentidos coletivos. Para pensar o espaço, é preciso reelaborar o corpo. Esta re-elaboração enquanto ocupante da cidade é mediada por um objeto relacional desenvolvido pelo Grupelho, inspirado na relação do peso das formigas com a tensão superficial da água – fenômeno causado por uma teia de moléculas na superfície do líquido, altamente associadas entre si por ligações de hidrogênio – característica que possibilita que as formigas transportem gotículas de água na própria mandíbula. Céu-duro refere-se à maneira com que a matéria é sentida, dada a proporção de uma formiga.

Ficha técnica:

Direção: Coletivo Grupelho

Elenco: Bruno Cunha, Débora Poitevin, Janaína Ferrari, Roberta Fofonka

Trilha: Intervenções sonoras de Joana Burd em faixa de John Cage

Figurino: Coletivo Grupelho

Consultoria: Hélio Soares Jr

Produção: Mauryani Oliveira



ILHA nasce de uma necessidade urgente de recriar o mundo através da presença. Por meio de camadas de percepção, estética e movimento propostas pelos artistas, ILHA trata-se da construção de uma experiência conjunta, em que público, bailarines e o espaço fazem parte da mesma tessitura da passagem do tempo, formando um corpo em presença. E, ainda que seja um corpo, uma ilha, um mundo, permite que cada célula seja independente e tenha suas próprias percepções. “Quero encontrar a ilha desconhecida, quero saber quem sou quando nela estiver.” José Saramago

Ficha técnica:

Elenco e direção: Bruna Chiesa, Bruno da Rosa Cunha, Débora Poitevin Cardoso, Janaína Ferrari e Roberta Fofonka

Trilha sonora: Música “Entidade Absoluta”, por Patrícia Nardelli e Wagner Menezes

Figurino: Graça Ferrari e Janaína Ferrari

Design de acessório: Vicky Fernandez

Operação de drone: Yuri Boelter

Produção: Coletivo Grupelho


RINHA é sobre descobrir de onde a força motora vem. Numa tentativa de identificar os trajetos de impulsos motores, abrir caminhos no corpo para que o fluxo aconteça. Reciclando a energia de um movimento para outro, uma outra mecânica se estabelece.

Pareciam galos numa rinha, mas eram apenas gêmeos siameses disputando a posição junto

Em O ponto arquim

Blogues do SAPO

Ficha técnica:

Direção: Roberta Fofonka

Dança: Janaína Ferrari

Trilha Sonora: Pedro Cassel

Captação e edição: Roberta Fofonka

Identidade Visual: Clara Trevisan

Concepção: Janaína Ferrari e Roberta Fofonka


TIGER BALM // EXPERIMENTO CÊNICO traz para o corpo a reflexão acerca dos modos de produção deste tempo. Elaborado através de práticas de exaustão como gatilho criativo, o espetáculo busca transparecer os limites de um corpo enquanto ele mesmo reflexo de um sistema producente. A perda de identidade necessária para produzir em massa acaba por criar uma identidade coletiva. O que acontece quando o corpo traz à tona tudo o que fora subtraído? Tiger Balm se propõe a pensar a espessura da presença, incorporando o público ao espaço cênico, gerando uma experiência cênica imersiva. O corpo-espectador se torna performer e cenário móvel, interferindo diretamente no corpo-elenco, numa negociação de espaço, tônus e subjetividade durante os 60 minutos de espetáculo. Tiger Balm é, ainda, um arriscado mergulho em um corpo que, exaurido, se move com intensidade, repetição, calor e suor, e, por fim, lentidão. Organismo-máquina, controle e desvio. Um pão é assado durante a execução do espetáculo. Ao fim, todos comungam da mesma refeição.

Ficha técnica:

Direção: Coletivo Grupelho 

Elenco: Bruna Chiesa, Bruno Cunha, Débora Poitevin, Janaína Ferrari e Roberta Fofonka 

Figurino: Graça Ferrari 

Som: Henrique Fagundes 

Iluminação: Iassanã Martins 

Produção: Arthur Serpa

Produção Executiva: Coletivo Grupelho


#940008 é o hexadecimal para um vermelho pulsante. É uma tonalidade que simboliza a “força motriz para viver”. O projeto surgiu no encontro dos artista Janaína Ferrari e Bóris Rodrigues, para experimentações em dança e música no intuito de gerar vídeo arte. A estética acontece a partir das circunstâncias pandêmicas somadas às limitações técnicas. Janaína criou um ambiente visual para captação da sua própria performance pelo celular. Bóris produz trilha a partir dos vídeos usando um software próprio de produção musical para construção rítmica de vídeo e som.


BOLHA é uma performance de longa duração baseada nas capacidades pulmonares. Dentro de um saco de tecido transparente gigante, os performers enchem 500 balões até que a forma de seus corpos desapareça e o invólucro se transforme em outra criatura – ação na qual o público pode participar. A partir daí, os descobrimentos: performers e/ou participantes se deslocam pela área urbana dentro desta estrutura.  Se estabelecem então novas relações de espaço ao alterarmos a paisagem com um ser estranho, móvel e mutável.


BANHO DE SOL NA RUA DA PRAIA é uma performance de encontro e ocupação da popular Esquina Democrática,  cruzamento entre a Av. Borges de Medeiros e a Rua da Praia, em Porto Alegre (RS). Consiste em organizar, por facebook ou boca a boca, um banho de sol coletivo com todos apetrechos necessários para um dia de praia: canga, traje de banho, frescobol, guarda-sol.  Todes são bem vindes para participar.

Foto: André Olmos


CORTEJOS surgiu do desejo de explorar o happining e suas possibilidades. O grupo de artistas formado por Janaína Ferrari, Roberta Fofonka, Bruno Cunha, Natalia Karam, Débora Poitevin, Alessandro Rivellino, Janete Fonseca e Natan Meneguzzi, estabeleceu dez ações conjuntas, feitas no decorrer de dez dias seguidos na Rua dos Andradas, de uma ponta à outra, usando de lambes, dança, exercícios de observação e ação como pano de fundo para intervir no trajeto. As ações ocorreram em julho de 2016.


CASULA foi uma performance com duração de 12 horas criada pela turma de 2015 do Grupo Experimental de Dança de Porto Alegre. Constituiu-se em um espaço criativo de encontro e presença, convidando artistas e público a cruzarem limites, compartilhando a possibilidade de testemunhar as transformações corporais e de estados físicos durante o atravessamento das horas. 

Foto: Sofia Cortese


ROJANA é uma ação/performance colaborativa entre as artistas Janaína Ferrari e Roberta Fofonka. Sobre convívio, direção e criação mútua. De duração vitalícia, as artistas trabalham juntas desde 2015, desenvolvendo pesquisas em torno da dança contemporânea, do contato improvisação e da performance na rua. Atualmente integram o Coletivo Grupelho de criação cênica, assinam a direção coletiva do espetáculo Tiger Balm//Experimento Cênico, vencedor do prêmio Açorianos de Dança Melhor Direção (2019). São membras-fundadoras do grupo de performances na rua Sapedo Arte Menor (2016), responsável pelos trabalhos Cortejos – 10 dias consecutivos de performances na extensão da Rua dos Andradas (2016), Bolha (Fundação Iberê Camargo, 2019), Banho de Sol na Rua da Praia (2017), entre outros.

Em conjunto as artistas criam oficinas, videodanças, performances, fotoperformances e espetáculos de dança, sempre com foco no corpo, na experimentação e na criação de camadas de significado de forma sinestésica. Suas oficinas mais recentes são Ambrosia – performance, corpo e dispositivos (2019), Performance e Lugar (2021) e Artes Domésticas (2021), direcionadas à criação em relação com o espaço, performance e sitespecific.